quarta-feira, 2 de maio de 2012

Para onde ir


Foi-se o tempo que era necessário viajar pra descobrir outros países, culturas e idiomas. Com esse mundo globalizado onde vivemos basta ter um computador e uma internet de banda larga e voilá! Essas facilidades podem ajudar muito na hora de escolher o destino de uma viagem e no meu caso não foi muito diferente.
Por sorte eu tenho duas irmãs que já viveram foram do Brasil por um tempo e agora voltaram a não habitar terras tupiniquins. A Vivi morou nos Estados Unidos e a Cris no Reino Unido e por fim, pra contrariar toda lógica possível eu escolhi o Canadá.

A principio eu pensava em ir pra algum país aperfeiçoar meu inglês. Estudei esse idioma por alguns anos, consegui um diploma de conclusão pelo CNA e fiz 1 ano de conversação numa escola de idiomas próxima de casa. Inclusive foi graças à fluência no inglês que eu consegui o emprego onde estou, pois como trabalho no depto internacional é fundamental saber se comunicar em inglês que é a língua comercial.
Eu até tinha planos de fazer algum curso preparatório pra exames de proficiência, de preferência o TOEFL, pois depois pretendia fazer alguma inscrição em pós-graduação em uma universidade internacional e pra isso é determinante ter uma pontuação mínima X pro curso (varia de curso pra curso, instituição pra instituição).

Para o inglês as opções eram Estados Unidos, Reino Unido, Australia, Nova Zelândia e Canadá. Por eliminação saiu UK por conta do alto valor pra se manter, uma vez que euro ou libra esterlina são o dobro podem chegar ao triplo do nosso pobre realzinho.

Sim o dólar e toda sua crise foram determinantes nesse ponto.

Os países da Oceania foram descartados por conta de serem pequenos e terem o clima próximo ao do Brasil, além de terem um sotaque que me soa muito estranho (experimente falar com um australiano ou neozelandês, é HORRIVEL!!!), então acabou me sobrando os países da América do Norte.
Nas muitas pesquisas virtuais e  visitas presenciais que fiz em agencias de intercambio até cheguei a cogitar ir pra Boston, Seattle, San Diego ou  San Francisco, que são destinos bastante comercializados pra intercâmbios e os valores dos pacotes e pra se manter não são tão exorbitantes quanto uma New York da vida, até que descobri o programa que irei fazer pro Canadá, que permitia trabalhar, o que não é possível na terra do tio Sam.

Poder trabalhar durante o intercâmbio pra mim foi essencial, pois se eu precisasse juntar dinheiro suficiente pra conseguir me manter fora sem sufoco ai eu teria que abrir mão de alguma coisa preciosa, tipo pegar um período muito menor de curso, trabalhar por muito mais tempo no Brasil ou me virar em dois empregos.
Por sorte tinha esse programa Go Canada, que me surgiu muito interessante a proposta, de estudar por um tempo em Vancouver, Toronto ou Montreal (mínimo de 12 semanas de curso pra depois ter 12 semanas de trabalho permitido pelo governo). Nunca cogitei ir pra um lugar onde tivesse que trabalhar ilegal imagino que é um risco muito grande, pois ser deportado é uma mancha gravíssima nas pretensões de quem pretende viajar o mundo todo.

O que me levou a eleger Montreal foi a oportunidade de morar numa cidade bilíngüe, de conhecer a cultura quebecoise e o fato de a empresa onde eu trabalho ter também um escritório lá, então eu sabia que a questão de infra-estrutura pra atendimento médico seria ok (sim isso foi importante pra mim).

Como eu tenho uma amiga que tá no processo de imigração pro Quebec eu pude ter um pouco de contato com o que essa província tem a oferecer e  se por um acaso um dia eu queira sair do Brasil pra sempre essa seria uma possibilidade, e nada melhor do que já conhecer o lugar pra saber se vale a pena ou não.
Pesquisei bastante a cidade, já li muitos blogs de pessoas que foram pra lá pra viajar por lazer, estudar e também imigrar. Vi várias comunidades do orkut e tive acesso à biblioteca do Senac Consolação (onde estudei francês e espanhol no ano passado) e lá tem uma prateleira só dedicada ao Quebec.

De uma forma geral tudo que tive contato tinham muito mais coisas a favor do que contra, então acho que a escolha foi certa, mas só vivendo pra saber.
Como eu acho o idioma francês lindo e sempre tive vontade de estuda-lo, foi ele que eu escolhi no final das contas como curso na escola pra onde vou. Também contei com o fato que gosto e prefiro frio e já sei me virar em inglês, portanto estuda-lo novamente não seria não necessário/interessante quanto aprender uma nova língua.

Se for pra enumerar o que deve ser levado em consideração, eis as minhas dicas:

1 – Clima e geografia: não adianta nada ir pra um país super frio se você não gosta desse clima, isso só traz sofrimento. Mesma coisa se você não suporta calor, morar num país quente só tirará o prazer das coisas. Durante a faculdade morei numa cidade muito quente e sofri muito, mas muito mesmo. Também deve ser pensado se a “natureza” do local é compatível com seus gostos. Eu mesma não iria pra um lugar cheio de montanhas, ou só tivesse praias ou no meio do mato, cheio de insetos e clima úmido porque eu odeio muito tudo isso;

2 – Idioma: Eu acredito que todos são capazes de aprender, mas existem pessoas que realmente não conseguem, já vi isso com muitos clientes que atendi, que estavam morando fora há meses e não sabiam falar o idioma local, então se você tem a dificuldade com a língua as vezes é melhor abrir mão de morar lá e decidir numa outra oportunidade ir pra visitar;

3 – Cultura local: pra quem sempre morou em uma cidade pequena se jogar numa metrópole pode não ser uma boa idéia. O inverso também é valido, pois muitas pessoas vão pra cidades pequenas e isoladas e acabam descobrindo que estavam melhores no Brasil. Montreal é a segunda maior cidade do Canadá e exala cultura por tudo quanto é lado, o que eu amo. Vale muito a pena ver quais são os atrativos da cidade, calendário de festas e eventos, guias de viagens e ver se tem coisas que te interessam ou não;

4 – Custo de vida: Infelizmente pra realizar um sonho é necessário desembolsar dinheiro. Não tem como ser de outra forma se não essa. Às vezes o curso e as passagens aéreas são baratas, mas você acaba descobrindo que aluguel, comida e transporte são caros, ai já era, se não tá dentro do seu orçamento não adianta sair do Brasil pra ficar numa pindaiba maior do que aqui. Eu pesquisei muito isso antes e vi que viver no Canadá sai mais barato do que nos USA Além disso, tratando-se de saúde, os valores no Canadá são muito menos que nos Estados Unidos.

5 – Número de brasileiros: claro que você quem vai escolher com quem vai ter amizade, mas evitar um destino muito óbvio pra mim foi importante. Montreal tem sim brasileiros, mas não tanto quanto Toronto e Vancouver, assim como os destinos listados nos USA. Eu pretendo ter um convívio mínimo com brasileiros, pois realmente quero aprender outro idioma. Já vi muitos casos de pessoas que não aproveitaram o tanto quanto poderiam por ficarem reclusos a grupos de brasileiros. Pra mim isso é burrice e desperdício de tempo e dinheiro.

É acabei falando demais, mas sou assim mesmo, prolixa e detalhista.

Por enquanto é só


Glau

trilha sonora do post: 


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