Decidir fazer um intercâmbio não é uma escolha tão fácil de ser feita. Pra muitas pessoas o fato de eu querer morar fora do Brasil por 1 ano é um ato de coragem impar, ainda mais que esse “morar fora” implica em ir pro outro extremo da América, ou seja, voltar não é tão simples.
Pode dizer com toda certeza que os exemplos que tive em casa foram determinantes pra que as coisas não fosse tão difíceis ou complicadas como muitos acreditam que seja.
Tenho 2 irmãs mais velhas (gêmeas) que foram abrindo o caminho e por elas eu pude ver o que dá certo ou não.
Tudo começou com a questão da faculdade. Aqui na minha família as 3 filhas estudaram em universidades públicas. Primeiro foi a Vivi, que passou em química na Unicamp e morou por quatro anos em Campinas – SP. Depois foi a Cris, que passou em biomedicina na Unifesp e continuou morando em casa, porém no doutorado dela morou em Liverpool – UK por um ano. Por fim eu, a mais nova, que passei em turismo na Unesp e morei por três anos e meio em Rosana – SP.
Como minhas irmãs não tiveram nenhuma hesitação na hora de sair de casa pra estudar, foi mais do que natural pra eu ir morar em uma cidade 800 km longe de casa, com pessoas que eu nunca tinha visto e viver experiências memoráveis. Pelo fato de eu ter tido um crescimento pessoal tão grande e vi que depois da faculdade as coisas não seriam, nem deveriam, serem as mesmas.
Mesma coisa aconteceu no pós-faculdade. A Vivi foi pra Michigan como Aupair. Ficou lá por dois anos, voltou pro Brasil e viu que nunca mais conseguiria se adaptar à nossa vida tupiniquim e decidiu voltar pra sempre. Deu entrada como estudante, conheceu meu atual cunhado, se casou e hoje tem o greencard.
A Cris conseguiu um emprego e um pós doc num hospital no Arizona. Já mora lá por um ano e todos aqui de casa acreditam que também não voltará mais.
Confesso que antes da Vivi ter ido pela primeira vez pros Estados Unidos não passava pela minha cabeça sair do Brasil. Acho que muitas pessoas não têm essa ambição, mas quando ela voltou pro Brasil me deu a maior força e inspiração. Eu ainda tava na faculdade e até tinha cogitado fazer um programa de estágio pela CI. Acabou não dando certo, só perdi dinheiro e ganhei uma frustraçãozinha. Confesso que até hoje não consigo passar em frente a loja de Alphaville sem sentir um pouco de raiva.
Acabei fazendo um estágio não remunerado num museu, pois pra se formar era obrigatório ter um estágio, e adiei o plano de sair do Brasil pra depois de formada.
Calhou de eu conseguir o emprego que eu estou hoje antes mesmo de colar grau, esse é meu primeiro e único emprego até hoje. Desde o primeiro mês eu juntava uma pequena quantia de dinheiro. Era bem pequena mesmo porque meu salário não era lá aquelas coisas e minhas prioridades também eram outras.
Pelos motivos que eu já mencionei no post anterior eu finalmente decidi botar pra funcionar e correr atrás do meu sonho (sim posso agora dizer que tinha um sonho) e fui pesquisar o que tinha disponível no mercado, quais eram as agências de intercâmbio e o que se encaixava melhor com minhas expectativas, dinheiro, tempo e perfil.
Agora nesse exato momento eu posso listar alguns fatores que foram decisivos pra mim:
1 – Não ter nada me prendendo no Brasil
Sou solteira e sem filhos, então esse é o meu momento. Tenho plena consciência que em outras circunstancias não será tão fácil largar tudo e tentar algo novo em outro país. Enquanto tenho tempo, dinheiro e disposição meu mundo não tem barreiras;
2 – Já ter morado longe antes
Tudo bem que 800 km é ridículo se comparado aos 8.145 km de Montreal. Em Rosana eu podia voltar pra casa todo feriado, bastava pegar um busão e estava lá no aconchego da casa dos meus pais, no Canadá não será assim. Mas em ambos os lugares eu não sabia nada antes de me mudar, o desconhecido me é igual e pelos resultados que tive durante a faculdade vi que eu consigo sobreviver sem ter meus pais tomando conta de mim, o conforto e comodidade de ter tudo em casa e consigo enfrentar os problemas quando eles aparecem. Claro que o desafio em outro país será bem maior, uma vez que me sustentarei 100%, é outra língua, outra cultura, outras leis e outros padrões, mas já tive o gostinho da liberdade e me considero pronta pra novos passos;
3 – Melhorar meu currículo
Todo mundo sabe que ter vivido em outro país é um plus no currículo pra muitas profissões. Pra mim, que sou formada em turismo, é um baita diferencial. Eu sei que voltando dessa viagem estarei dominando o francês e também terei melhorado muito meu inglês;
5 – A curiosidade
Na minha cabeça não tem como você crescer se não tiver curiosidade. Eu sou uma grande curiosa, sempre tive ânsia por saber mais. Acho um pouco deprimente pensar que muitas pessoas desperdiçam suas vidas se contentando em nascerem, crescerem e morrerem na mesma cidade, com a mesma vidinha de sempre. O que mais vi foram pessoas com as quais convivi no passado e hoje estão envelhecidas, tristes e confirmadas. Eu imagino como deve ser a visão de mundo de pessoas assim. Eu gosto de ver, viver, experimentar o novo, o diferente, o desconhecido e o incomum. Talvez Montreal seja o primeiro passo de muitos, espero eu;
6 – Poder bancar
Sei que comparado a muitos eu sou sortuda por poder ter podido juntar dinheiro e também por ter uma mãe que também me ajudou bastante. O dinheiro que eu gastei até agora é suficiente pra comprar um carro 0 km, ou pagar uma pós-graduação boa, quem sabe também dar entrada numa casa própria. Mas isso eu deixarei pra depois, espero que eu volte ao Brasil melhor e com mais condições do que sai.
Não que eu pretenda juntar grana nesse intercâmbio, nem tem como. Mas sei que minha bagagem será melhor na volta.
Bom no próximo post eu desenvolverei melhor a pesquisa e escolha da agencia de viagens.
Por enquanto é só.
Glau
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