Uma coisa que eu não tinha contado no post sobre o visto foi o problema que ocorreu com um amigo meu. Vou chama-lo de L pra facilitar
L é meu fiel escudeiro e quando eu decidi fazer o intercâmbio ele ficou triste porque eu iria embora mas, quando eu convidei ele pra vir comigo, não pensou duas vezes e comprou minha ideia. Foi ele que eu citei como o amigo que teve o pacote parcelado em 8 vezes.
Nós fizemos tanto planos juntos naquele um ano de preparação que parecia que o sonho era mais legal por ser vivido junto com outra pessoa.
Antes de questionamentos,L é lindo, divertidíssimo, inteligente e gay ;)
Pois bem, L é 7 anos mais novo que eu, então quando demos entrada no intercambio eu tinha 26 e ele 19 aninhos. Ele nem podia beber nas leis canadenses hahahaha.
Eu e ele estávamos em situações diferentes na vida: eu já tinha um diploma, já tinha tirado visto americano e ele tinha acabado de acabar o ensino médio. Entre a gente nos damos super bem até hoje mas, o governo canadense não interpretou da mesma forma, concedendo o visto pra mim e não pra ele:(
Lembro que foi horrível. Eu recebi a noticia do meu visto aprovado num dia a tarde, estava saindo da academia e a agente da agencia me ligou informando que estava encaminhando o passaporte.
Um pouco depois, já a noite ela me ligou informando que L tinha tido o visto negado. Liguei pra ele, estava chorando, desesperado, foi horrível.
No mesmo dia eu tive emoções muito extremas. Estava feliz por mim e triste por ele. Tipo caiu a ficha que eu realmente iria morar em outro país porém, ele não iria comigo. Muito louco...
Eu até pesquisei pra ele agencias especializadas em visto, pra ele tentar novamente, insisti pra ele não desistir mas, ele sabiamente decidiu que não iria e trocou o destino dele para Buenos Aires e foi estudar espanhol lá.
Hoje eu vejo que foi o melhor pros dois. Ele também teve experiências maravilhosas na Argentina e foi muito feliz lá, igual eu fui no Canadá. Mais importante pra mim era a felicidade do L, seja onde fosse, com quem fosse.
Com certeza eu não teria conhecido as pessoas que conheci em Montreal se o L estivesse comigo.
Bom mas vamos ao ponto. Sei que muita coisa mudou de 2012 pra cá, inclusive hoje o Canadá não solicita mais visto para brasileiros para viagens a turismo, cujo visitante se enquadre em algumas condições:
- Tem um visto válido de turismo ou negócios para os Estados Unidos;
- Já tirou um visto canadense;
- Já visitou o Canadá nos últimos 10 anos.
Eu me enquadro em todas hehehe
Mas naquela época era diferente, e foi até o ano passado e creio que para as pessoas que não estão nessas condições continue a mesma coisa.
Quando preenchemos a papelada, meu amigo e eu fizemos tudo juntos, mesma escola, mesmo documentos, tudo junto, mas creio que foi nos detalhes que houve a decisão favorável pra um e não favorável pro outro. Pelo o que eu me lembro tivemos as seguintes diferenças:
1 - Visto americano: eu já tinha tirado um visto de única entrada mas, antes de aplicar pro canadense, tirei um novo americano e consegui por 10 anos dessa vez. Minha ideia era de Mtl visitar minhas irmãs então eu quis sair já com tudo pronto. Eu lembro que eu insisti pro meu amigo aplicar pro americano também, mas ele se enrolou e acabou não conseguindo a tempo. Eu já tinha visto pessoas dizendo que ter um visto de outro pais ajuda e isso se comprova agora nas novas regras. O Canadá acredita que se você é apto para entrar na terra do tio Sam pode também entrar na terra deles;
2 - Preencher os documentos com muito cuidado e atenção: tinham formulários diversos para o visto de estudante. Quando tirei o de turista em 2014 também tinham alguns diferentes. Em ambas as situações é importante prestar atenção nos detalhes e se esforçar pra ser claro nos seus objetivos e dar as informações que estão pedindo e as que querem receber. Eu me lembro que tinha um formulário de informações adicionais com os seguintes tópicos:
Pode parecer besteira mas eu lembro bem que quando preenchemos os documentos, antes de entregar eu mostrei o meu pro L e ele o dele pra mim. O L apesar de ser muito inteligente, é muito preguiçoso (isso eu falo pra ele sempre, temos essa liberdade) e as respostas foram as mais pobres possíveis.
Enquanto eu tratei de escrever quais eram meus planos, informar a importância do estudo pra minha carreira profissional e acadêmica, passar vários contatos, descrever com detalhes as informações, L se limitou a responder o básico do básico, o que pode ter feito ele perder pontos. Eu enquanto agente do consulado também exigiria um minimo esforço de quem está solicitando um visto.
3 - Comprovação de renda: Eu usei minhas finanças próprias e o saldo da poupança da minha mãe. Lembro que deu na época R$24.000,00, que seria equivalente a $12.000,00, exatamente o que o governo solicitava para estudantes, mil dólares por mês para se sustentar e não gerar problemas na terra deles. O L tinha uns R$6.000,00 na conta dele e usou a comprovação de renda de um tio que tinha uns investimentos de R$100.000,00, isso mesmo, cem mil reais. Nem sei o quanto equivaleria nos dias atuais, precisarei tirar o VPL (sim eu manjo desses paranaues de finanças mas a preguiça de agora está foda). Ou seja, na nossa visão o L estava mais do que garantido, tinha grana pra caraleo pra gastar, mas todos sabiam que não era de fato dele. Acho que o governo também pescou isso. Não adianta usar uma comprovação de alguém que dê margem pra desconfiar que de fato não irá te bancar. Seria mais válido usar os valores modestos de salário do pai dele do que a conta graúda do tio rico.
O fato do ensino superior também pode ter me favorecido, mas acho que não gerou pontos a menos pelo fato do L não ter feito faculdade, até mesmo porque ele não tinha idade pra ter terminado uma na época. Agora que ele está cursando uma, está no segundo ano de comércio exterior (orgulho do meu amigo lindo).
O intercâmbio do L para a Argentina foi bem mais sussa. Mais barato, não precisava de visto, pertinho e ele aproveitou muito.
Bom eu tirei um segundo visto pro Canadá, como turista, mas isso eu conto em outro post.
A trilha sonora é o tema de friends, pois a primeira frase define tudo. O L estava lá por mim e eu por ele. Mesmo não trabalhando mais junto, mesmo indo pra paises diferentes, mesmo passando anos, estivemos um pelo outro
So no one told your life was gonna be this way

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